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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Retorno

Oi, bloggers, estou sumida há um tempo daqui! Preguiça? Muito trabalho? Não! Nada justifica a ausência, porque quem quer escrever, escreve todo dia! Era falta de vontade mesmo! Mas tem uma hora que aperta a necessidade de expressão escrita, e hoje veio essa necessidade! 
Milhões de coisas estão acontecendo dentro e fora de mim, acho que isso me motivou a voltar e me forçar a escrever um pouquinho todo dia! Esses dias têm sido punk, mesmo para as pessoas mais fortes! Já passei por muitas coisas mas nada pode se comparar ao que ocorre agora! Porém não é sobre isso que quero falar hoje, nem sei se vou falar aqui sobre isso um dia! Falarei sobre o ato desumano que ocorreu ontem com uma menina de 16/17 anos, que poderia ser minha ou sua filha! 
É estarrecedor acordar e ler uma notícia como aquela! Você se pergunta de pronto: Como assim? Em que século estamos? Que espécie de pessoa (se é que se pode chamar dessa forma) dispõe do corpo e da vida de um semelhante dessa forma animalesca? Daí você percebe que não foi só uma "pessoa" mas 30/33 "homens" que violaram física, psicológica e espiritualmente uma menina indefesa!  E dentre esses 30/33 "homens" não tinha um humano que intercedesse por ela e chamasse os outros à consciência do ato criminoso que estavam cometendo e ainda, não satisfeitos, filmaram e lançaram nas redes sociais as imagens, fazendo piada, onde outras tantas "pessoas" replicaram a piada, fazendo comentários escrotos (para ser educada, porque caberia outro adjetivo aí), culpando a vítima. Típico comportamento machista implantado como chip em nossa cabeça. Digo nossa, porque, mesmo nós, mulheres, formos ensinadas a ter certos comportamentos e replicar certos discursos que, se formos um pouco críticas, saberemos detectar o patriarcado em nossa educação! 
Autoanlaisando-me, quantas e quantas vezes, ao educar meus filhos homens não falei para eles:  "Seja homem, você não é uma menininha!"? Quantas mães não repetem isso automaticamente na cabeça de seus filhos. Esse é o discurso que sempre ouvimos e fica implantado em nosso subconsciente! Cabe a nós mulheres, educadoras que somos, mudar e lutar contra esse discurso, contra nós mesmas, vencer o nosso machismo é o primeiro passo para mudarmos a realidade que nos cerca. 
Durante muito tempo fui cega e achava que o movimento feminista não tinha mais o que fazer, afinal as conquistas estão aí já, basta-nos agarra-las! Mas hoje, cresci, acordei e percebo que o movimento feminista tem que ser mais forte do que nunca, porque vencer o discurso internalizado por séculos é a luta mais difícil a ser travada, inclusive contra nós mesmas.
Como mãe de uma menina e dois meninos, como professora, vejo-mo responsável pelo que meus filhos, minha filha, minhas alunas e meus alunos venham a replicar no futuro. Então, ao máximo que posso, tenho mudado o meu discurso e sobretudo minhas atitudes! A formação do caráter de uma pessoa se dá em casa, na escola, nos discursos, mas principalmente, nos exemplos e nas atitudes das pessoas que ela ama e que são o seu modelo e espelho! 
Sintamo-nos, então, todos responsáveis pela mudança de atitude e de paradigmas! Não podemos mais ficar calados diante das mosntruosidades que assistimos acontecer, por não foi conosco nem com nossos amigos, nem com nossos filhos. 
Acho sim que o movimento feminista, não um movimento pelos direitos da mulher, mas para que todas as mulheres sejam tratadas dentro dos direitos humanos. Quantos crimes contra a pessoa humana esses 30/33 "homens" cometeram? São doentes? São monstros? Não! São rapazes, trabalham, estudam, são filhos, netos, sobrinhos, e sabiam exatamente o que estavam fazendo, tanto que postaram em rede social, tamanha é a impunidade para esses crimes que nem medo tiveram das consequências. Por que? Porque a moça é uma vagabunda, que supostamente traiu o namorado e ele, como homem, tem todo direito de lavar sua honra e expo-la em praça pública, para outros como ele se sentirem também vingados! Não é assim? A mulher é propriedade do homem, como vemos estampado em propagandas de cerveja, em letras de música, etc. 
Para quem ainda pergunta o que a CULTURA DO ESTUPRO, a cultura do estupro é justamente isso, objetificar o corpo da mulher como propriedade e objeto do desejo do homem e torná-la culpada por todos os crimes que são cometidos contra ela, afinal ela está sempre pedindo!
É contra esse discurso que me levanto e convido todos vocês a também se levantarem, não só minhas amigas mulheres, mas também meus amigos homens que se envergonham desse tipo de comportamento e discurso porque respeitam as mulheres e sabem o que de fato significa ser um homem de verdade! Vamos juntos mudar esse conceito de que só merecem respeito as BELAS, RECATADAS E DO LAR! Mulher pode ser o que quiser e todas merecem respeito, todas merecem e devem ser tratadas como seres humanos!  
Falo como mãe, como professora, como ser humano que sou e peço consciência a você que pensa que o rapaz estava certo, a você que compartilha ou compartilhou as imagens e fez piadas sobre lá assunto, pergunto a você que compactuou com o ato:  E se fosse com sua mãe, sua irmã, sua prima, com alguma mulher da sua família? Ela seria a culpada? Ela teria provocado? Teria sido a roupa que ela usou? Teria sido porque exagerou na bebida? A culpa é dela? 
Não, meus caros, a culpa nunca é da vítima, nenhuma mulher gosta de ser estuprada, nenhuma pessoa, mulher, criança, jovem, pede por isso, as pessoas sofrem com o abuso! A culpa é sempre do agressor, a culpa é sempre de quem não percebe os limites do que se pode ou não fazer com alguém! 
Então, meus amigos e amigas, mudança de atitude, de pensamento, comecem a se policiar e ver quantas vezes você mesmo repete o discurso machista nos mínimos comentários de seu dia a dia. Pergunte-se: você acho engraçado ver aquele adesivo com a Dilma de pernas arreganhadas nos tanques de gasolina de alguns carros? Você canta e não vê problema nenhum na letra de um funk que diz: "Tava no fluxo, encontrei a novinha no grau, sabe o que ela quer?..." Se acha normal, está na hora de mudar! Esse é o meu convite, vamos mudar, começando por nós mesmos! 
#aculpanuncaédavítima
#EmpoderamentoFeminino
#NãoaCulturadoEstupro
#mulherhomemjuntossomosmais

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